Matérias escritas






#VemPraRede.Gov
Por Felipe Menezes 
(reportagem para revista acadêmica - novembro/2013)

Pagar contas, fazer compras, conversar com os amigos e visitar qualquer ponto turístico do mundo a partir do computador são ações que já fazem parte do cotidiano da maior parte dos #urbanoids. Mas eles querem mais: que o mundo virtual seja uma ferramenta para transformar o real.

As redes sociais se tornaram uma grande ferramenta de protesto e cobrança por mais políticas públicas por parte dos governos. Notamos o poder delas durante as manifestações populares – especialmente nos meses de junho e julho de 2013 – quando milhões de pessoas, mobilizadas por meio do Facebook, foram às ruas protestar. Tudo começou com o aumento do transporte público nas grandes cidades e regiões metropolitanas. Mas a Primavera Brasileira[1] não aconteceu só por 20 centavos. A população clama por atenção. O #gigante quer ser ouvido. E lido.

Mais do que formulários – normalmente longos – em sites, a população busca atendimento por meio do que de mais prático, espontâneo e democrático existe na nossa digital land: as redes sociais. Foi o que fez a publicitária Ana Morais Boscolo, 23 anos. Cansada do descumprimento dos prazos dados nos protocolos oficiais da prefeitura, a moradora de Mauá resolveu procurar o perfil no Facebook do secretário de Serviços Urbanos, José Rogério Santana, para denunciar a escuridão da rua em que vive. “Havia postes, mas sem lâmpadas, fixadores ou fiação. À noite o local ficava um breu e virou cenário de assaltos e até assassinatos”, conta. Após explicar ao secretário virtualmente que estava há cerca de seis meses sem iluminação, recebeu a atenção que precisava. “Cerca de um mês após os relatos, as lâmpadas foram instaladas”, lembra Ana.

Será que todas as instituições públicas estão preparadas para romper as barreiras da burocracia e oferecer serviços públicos online com o imediatismo que o mundo contemporâneo exige? Para Carlos Nepomuceno, jornalista Doutor em Ciência da Informação pela Universidade Federal Fluminense/IBICT (Instituto Brasileiro em Ciência e Tecnologia), essa transformação é complexa. “Esse movimento não pode ser visto como algo simples, pois implica em mudança cultural profunda e altera diversos interesses atrelados à forma atual de estrutura das empresas públicas”, explica.

Bastam alguns minutos navegando por perfis de órgãos públicos paulistas para notar o alto número de reclamações, apesar de São Paulo ter sido o primeiro Estado brasileiro a regulamentar o uso das redes no governo – a partir de janeiro de 2009, embora na maioria para simples divulgação institucional. E haja calculadora! Alguém conhece um aplicativo para isso? #fail

Quase cinco anos depois, alguma coisa mudou. \o/ As redes do metrô (Companhia do Metropolitano de São Paulo) e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), por exemplo, apresentam mais do que marketing e divulgação de ações. Elas prestam serviços e informam a população sobre problemas nas linhas e melhores opções de caminhos.

Mas isso não basta. Toda a empresa deveria estar integrada para atender as demandas da população. “São poucos, muito poucos, os que percebem que estamos entrando em uma nova sociedade dentro de um ambiente informacional mais aberto. E que é preciso incluir essa mudança no planejamento estratégico do setor público e envolver todas as áreas da organização para a mudança”, explica. “Não se trata, assim, de entrar em redes sociais, mas criar a sua junto dos cidadãos.”

A proximidade entre público e poder público parece ser a chave da questão. Mas esse será um processo lento. “O Brasil terá grande dificuldade em implantar esse modelo, por se tratar de um país muito centralizado, burocrático, no qual o Estado está voltado para os interesses de seus gestores e, muitas vezes, para os que lá trabalham. E muito pouco para o cidadão”, completa. #OMG

Na frente das capitais

Entre as prefeituras das principais cidades da Região Metropolitana, o trabalho feito em Santo André pode ser destacado. A prefeitura da capital nem tem fanpage oficial! #atrasodevida
Com mais de 10 mil fãs no Facebook, os andreenses têm a principal página entre as administrações municipais da Grande Sampa, e – de lambuja – ainda estão à frente de 13 importantes capitais estaduais – Salvador, Porto Alegre, Florianópolis, Cuiabá, Campo Grande, Rio Branco, Belém, Macapá, Teresina, Porto Velho, Boa Vista, Aracajú e Palmas – e se aproximam de Goiânia e Belo Horizonte. “Diante das novas demandas tecnológicas, buscamos adaptar nosso trabalho para as mídias atuais”, afirma o secretário de Comunicação, Leandro Laranjeira. “Nosso objetivo é tornar o canal uma referência no relacionamento com o cidadão.”

Segundo dados oficiais, desde o início do ano e mesmo em meio aos protestos de junho de 2013, o número de seguidores – que era de 3.140 - mais que triplicou, passando para 10.540 em outubro – um aumento superior a 220%. “Acredito que a característica apolítica das nossas publicações foi o fator responsável por amenizar o impacto dos protestos. Usamos as mídias sociais única e exclusivamente para a prestação de serviços”, diz Laranjeira.

Segundo a própria instituição, nenhum cidadão fica sem resposta. As demandas da imprensa são atendidas, assim como todas as dúvidas da população. A relação é direta, o que torna a comunicação com a população mais próxima e informal. “São informações oficiais respondidas no tempo em que o internauta nos procura. Isso agrada e garante credibilidade”, resume o secretário.

Como nem tudo são flores, o serviço de monitoramento andreense é assumidamente falho, o que impede a organização de dimensionar as reclamações da rede de forma global, e, a partir dela, fazer um planejamento estratégico amplo. “Por falta de verba, ainda não conseguimos contratar o software necessário para que nosso trabalho seja completo”, admite Laranjeira.   

Fakes às vezes prestam (serviços)

Um fenômeno não raro no mundo dos serviços em mídias sociais é a prestação de informações de utilidade pública em perfis falsos. A fanpage Diário da CPTM é um ótimo exemplo. Com cerca de 25 mil fãs (o oficial tem 20 mil), a página surgiu a partir de um blog criado em agosto de 2010 como resultado da indignação de um usuário. “Quando os novos trens começaram a circular, fiquei uma hora esperando até que um deles apareceu. Me senti desrespeitado. Então, tirei uma foto e postei no blog. Depois disso decidi procurar informações sobre a CPTM e não encontrei nada. Não existia um espaço para notícias, andamento de obras, entre outros”, conta o auxiliar administrativo Ricardo dos Santos Guimarães. “Então tomei a liberdade de ir postando uma e outra matéria. A partir daí evoluiu até chegar ao total de quase 3 milhões de visitas no blog que temos hoje”, explica. O motivo do sucesso? “Faltava informação”, completa.

Mas o mantenedor enfrenta alguns problemas quando os usuários confundem as páginas mantidas por ele com as oficiais. Não faltam reclamações. “Existem muitas pessoas furiosas com o serviço. Eu os oriento a procurarem a empresa para que as queixas sejam registradas. Sempre que posso, diante de algum problema, vou atrás de respostas. Eles não divulgam em detalhes tudo o que acontece”, relata.

Para Guimarães, o segredo do sucesso do Diário é a confiança conquistada com publicações de interesse dos usuários, enquanto a ‘oficial’ trilha na contramão. “A CPTM tem que melhorar muito. Eles são muito genéricos quando relatam um problema. Os dados precisam ser claros e detalhados. E para começar isso, precisam melhorar a comunicação interna, por que cada canal dá uma informação diferente”, ensina Guimarães.

“Seja sério, seja por brincadeira, os fakes existem e fazem barulho. Um exemplo é a Dilma Bolada (@diImabr) no Twitter. Perceba que o ‘l’ é na verdade um ‘i’ maiúsculo, que confunde o leitor. Nesse caso, o perfil é de humor, assumidamente falso. O mesmo acontece com o perfil do Twitter @Queen_UK, que tem mais de 1 milhão de seguidores e faz uma sátira à Rainha Elizabeth. Porém, em muitos casos o perfil tenta se passar pelo real. Aconteceu isso, por exemplo, com a Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência da República. Uma conta falsa tuitava se passando pelo órgão oficial”, analisa Carlos Nepomuceno.

Por trilhos oficiais ou por rotas alternativas, é certo que a população quer ser mais bem ouvida. E cuidada. O trem do #gigante está cada vez mais lotado... de insatisfeitos.

Aplique-se também em colaborar
O potencial da combinação de smartphones com aplicativos ainda está longe de se esgotar. Com recursos poderosos como internet móvel, GPS e câmera, o celular pode transformar o usuário em uma unidade independente de informação e mapeamento do que está acontecendo ao redor. Conheça dois programinhas que podem te ajudar muito nessa louvável tarefa:

MyFunCity
O brazuca MyFunCity  permite que os cidadãos avaliem a qualidade de vida das cidades a partir de 11 indicadores relacionados a trânsito, segurança, meio ambiente, saúde, educação e bem-estar. Um banco de dados abriga todas as opiniões em um mapa sobre o índice de satisfação da população sobre os serviços públicos. O usuário pode acessar a plataforma pelo Facebook e pelas versões para Iphone, Ipad e Android, todas disponíveis para download gratuito na App Store e no Google Play.

Cidade Legal
Pode parecer, mas o Cidade Legal não é a tradução livre do app acima. O aplicativo, disponível para Android e iOS de forma gratuita, tem como objetivo auxiliar na identificação e divulgação dos problemas de infraestrutura da cidade, por meio de fotografias, marcações no mapa e posts nas redes sociais. As fotos não sobem de imediato, pois o sistema verifica se a ocorrência é real, e, cerca de duas horas depois, ela é anexada à ocorrência. O passo seguinte dos criadores está em andamento. Eles negociam com 11 prefeituras brasileiras para que estas possam vir com as soluções - ou agendamento delas – para os problemas levantados pelos usuários.

Box: Segundo dados do IBOPE Media, em janeiro de 2013, páginas de relacionamento e outras agrupadas na subcategoria comunidades – que incluem também blogs, microblogs e fóruns – atingiram mais de 46 milhões de usuários no Brasil, o equivalente a 86% dos navegantes ativos da internet no período, o que representa quase um quarto da população total (196,7 milhões).




[1] Nome dado às manifestações brasileiras em alusão à Primavera Árabe, como é conhecida internacionalmente a onda revolucionária ocorrida no Oriente Médio a partir de dezembro de 2010.








Galope à contramão
 (perfil para revista científica acadêmica - novembro/2013)

Inquieto e instintivo. É assim que parece ser o biólogo Fábio Paschoal. Características perceptíveis na maneira de falar e também na carreira. Nascido na cidade de São Paulo, em 1981, e formado pela USP, em 2005, Paschoal gosta de galopar na contramão. Em um ninho de especialistas em humanos, o aficionado por documentários selvagens quis estudar os animais. “Desde pequeno gostava de bichos. Meu quarto sempre foi cheio de livros sobre eles. Até hoje”, conta.

Mas o filho de médicos não é um biólogo tradicional. São poucos os profissionais desta área que, como ele, não querem ser professores e/ou pesquisadores. O que evidencia, mais uma vez, a tendência ao contra fluxo. “Eu comecei a dar aulas, mas depois de um tempo vi que não era aquilo que eu queria pra minha carreira. E vida de pesquisador é muito solitária”. Em uma viagem para a cidade de Vancouver, no Canadá, Paschoal descobriu ter aptidão para guiar turistas. Ao retornar ao Brasil, se especializou e foi chamado para trabalhar numa pousada ecológica no Pantanal. “A paisagem de lá é muito bonita, principalmente na época de cheia, quando a água transborda dos rios e inunda a planície. Neste período, quando não está ventando , a água fica calma e forma um espelho que reflete perfeitamente tudo que ta em volta. O Pantanal é a minha segunda casa.”

Foram dois anos de trabalho intenso neste paraíso ecológico, o que pode ser difícil de encarar para qualquer dependente da agitação das grandes cidades. Mas, para Paschoal, nem encarar uma onça-pintada parece ter sido ruim. “A primeira onça a gente nunca esquece.” O encontro inesquecível aconteceu durante um dos monitoramentos a cavalo que fazia diariamente. O felino não estava sozinho. Segundo o biólogo, estava em uma espécie de ‘brincadeira de pega-pega’ com um tamanduá-mirim. “E ele tava desesperado tentando fugir, mas é todo desengonçado e não consegue ir rápido. Então a onça levantou e começou a andar em direção a ele e o abraçou. Ela fez isso umas três ou quatro vezes. Depois desistiu e soltou o bichinho, que entrou na floresta desesperado, subiu numa árvore e ficou lá.”

Até então, a onça nem havia percebido a presença do grupo de turistas. “Aí de repente ela olhou pra trás e nos viu. Foi a primeira vez que eu olhei no olho de uma onça. Foi uma sensação incrível. É um bicho que sempre olha no seu olho. Parece que tudo para. Você não ouve mais nada. Não pensa mais nada. Você só consegue ver o que está na sua frente. É um olhar do tipo que diz ‘esse lugar é meu’.”, lembra empolgado, como se estivesse revivendo o episódio. Depois da troca de olhares, a fera relaxou e se deitou para aproveitar o sol das nove da manhã. Em seguida, partiu floresta adentro. “Foi o que eu vi de mais incrível no Pantanal. A onça tem o poder de mudar as relações entre as pessoas do grupo. Depois que os turistas vêem a onça, eles começam a conversar muito mais entre eles. Os caras ficam muito felizes, muito felizes.”

Mas os encantos do Pantanal não foram suficientes para Paschoal. Com toda sua inquietude, ele precisava viver os desafios do ciclo de seca e cheia de outro paraíso brasileiro. Foi aí que decidiu desbravar a Floresta Amazônica, onde ficou por um ano. “A Amazônia é impressionante. Você nunca sabe o que vai acontecer. Todo dia eu via uma coisa nova acontecendo. Desde o primeiro dia até o último eu vi novos bichos. A diversidade lá é uma coisa absurda.“

De volta à floresta de pedra

Após três anos biologicamente frenéticos, Paschoal resolveu voltar à ‘calmaria’ paulistana, seu habitat original (por incrível que pareça). E depois de algum tempo caçando um novo emprego, foi chamado para trabalhar no Viaje Aqui, portal de turismo da Editora Abril, onde estão os sítios das revistas Guia 4 Rodas, Viagem e Turismo e National Geographic Brasil. A princípio, fazia notas de ecoturismo. Mas como era o único biólogo da redação, Paschoal era acionado sempre que precisavam de conteúdo referente ao assunto. Certo dia, uma dúvida criou um debate entre os fãs da página da National Geographic no Facebook. Numa série fotográfica, os usuários questionavam se o urso panda era ou não um urso. “Minha editora pediu minha ajuda. Realmente estava uma confusão. Então eu expliquei. Tem o urso panda, que é urso, da mesma família do polar, do pardo. E tem também o panda vermelho, que não é urso. Ele tem uma família própria”, conta.

No dia seguinte surgiu o convite para dar continuidade no trabalho de clarear as dúvidas dos leitores. “O que acha de fazer um blog com uma linguagem mais informal que fale sobre bichos?, perguntou a editora. Paschoal aceitou prontamente. “Assim surgiu o Curiosidade Animal, em março de 2012”, conta o biólogo. “Meu blog surgiu com essa abordagem, de falar sobre curiosidades do mundo animal de uma forma mais descontraída mesmo, não tão formal assim.”

Para o futuro, Paschoal pensa em seguir o instinto e assume não conseguir parar por muito tempo em um lugar. Mas afirma querer continuar com o blog por muito tempo, além de trabalhar paralelamente como guia turístico. “Meu lugar preferido nesse mundo é o Pantanal. Foi lá que eu aprendi a realmente apreciar o mundo selvagem. Eu sempre sinto vontade de voltar pra lá. É um lugar incrível”, reforça.

Apesar da carreira positiva, uma questão o inquieta ainda mais. O consumo desnecessário e os malefícios causados pelo homem à natureza. “Viver sem tudo isso que a gente vive na cidade grande é possível. E você pode ser feliz com uma vida simples. É muito difícil você se desfazer das coisas depois que você já tem. Essa ideia de consumo está enraizada na nossa cabeça. A gente acaba consumindo muito mais do que a gente precisa. Se isso continuar assim, a gente não tem planeta que aguente.”

Será que é mesmo ele quem está na contramão? 





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